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Setembro.2011 | Praxis Education | Novos mercados e o franchising* | Visitar o site

Qualquer franquia empresarial enfrenta dificuldades e desafios durante a sua abertura em um novo mercado regional. Sob o aspecto macro, ingressar em dado mercado implica analisar as condições de entrada e saída de determinado segmento, assim como outras variáveis implícitas no processo de expansão de um modelo empresarial. Vale estudar eventuais barreiras à entrada; conhecer a concorrência setorial ou de que forma os concorrentes estão posicionados; analisar se o mercado possui um público-alvo definido e de fácil delimitação; além de outros elementos acabam por influenciar as decisões de investimento e de alocação de recursos.

A estrutura e composição do mercado são fatores muito importantes e devem ser levados em consideração quando o empreendedor está analisando informações para a tomada de investimento.

O empresário que pretende adentrar em determinada região deve mapear o mercado com base em dados consistentes que permitam identificar o mercado consumidor, os concorrentes, os produtos/serviços que serão ofertados, os marcos regulatórios e outras variáveis políticoeconômicas, como fornecedores locais, regionais e/ou nacionais.

O sucesso de um negócio está associado, também, à atuação e à orientação dos gestores para as decisões estratégicas, que devem contribuir para diminuir as incertezas, mitigar riscos, e estabelecer padrões de atuação considerando oferta e demanda. O mercado estabelece, de forma natural, uma relação direta entre a oferta e a procura de bens e/ou serviços. E os problemas, riscos e rotinas das franquias não são diferentes.

O empreendedor que está inovando e desenvolvendo um novo mercado, seja local ou regional, precisa pesquisar o que o consumidor deseja ou sente em relação ao que se pretende ofertar. A análise de mercado deve ser trabalhada em conjunto com um plano de negócio estruturado, que contenha objetivos e metas. Um plano de negócio bem elaborado retrata o mercado da melhor forma possível e contempla as ações que devem ser exigidas do empreendedor. Este plano deve ser trabalhado e cuidadosamente estruturado pelo empresário que busca sua inserção regional – ainda que existam possibilidades e variáveis dentro do segmento de franquia. Deve-se considerar a história e normas da marca, todas as possíveis variáveis culturais (valores, crenças, atitudes e ações sociais, dentre outros), além de experiência do gestor. Para realizar um plano de negócios eficiente, o empreendedor deve lançar mão de fatos e dados. Ou seja, possuir uma elevada dose de racionalidade e analisar de forma objetiva todos os itens do plano. A experiência do gestor também é um fator importante, mas a síndrome do “tudo com base no feeling” deve ser evitada, buscando-se sempre equilibrar intuição e racionalidade. Cada vez mais, percebemos e reconhecemos que os mercados são diferentes e essas características devem ser consideradas durante toda a gestão do empreendimento. Na expansão do negócio, vale a máxima “o sucesso do passado não garante o sucesso no futuro”.

Outra questão que deve sempre estar em foco de quem faz um plano de negócios é a sua execução. De nada adianta um fantástico plano de negócios sem que ele seja acompanhado regularmente, até porque as variáveis verificadas e os movimentos do mercado podem e certamente exigirão ajustes ao plano original.

Monitorar sistematicamente suas ações e seus resultados é, talvez, mais importante do que o próprio plano. CEOs da Apple, AT&T, GE e de tantas outras empresas mundiais já foram demitidos pela não execução das estratégias desenhadas por eles próprios ou por falhas no acompanhamento das mesmas. De nada vale um ótimo planejamento sem a sua execução. A prática tem demonstrado que podemos identificar percepções e reações distintas por parte de gestores diante de situações que poderiam ter resultados semelhantes. A forma, estilo, atitude, cultura e valores individuais dos empreendedores dão rumos diversos aos processos de escolha estratégica e de tomada de decisões.

Na abertura de um novo mercado regional, especialmente, os gestores devem estar, portanto, atentos ao desenvolvimento de seus planos estratégicos e de expansão. Também devem se preocupar com a qualidade da análise do ambiente de negócios e variáveis culturais, atuando sempre de forma próxima e ativa na execução de seus planos, para acomodar mudanças de rumo e problemas que possam surgir, sem descuidar do regular acompanhamento. “Fazer acontecer” é o maior desafio das empresas no mundo de hoje.

LUÍS RODOLFO CRUZ E CREUZ , Advogado e Consultor em São Paulo. Sócio de Creuz e Villarreal Advogados. Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP, pós-graduado em Direito Societário, no curso LLM – Master of Laws, do INSPER (ex-IBMEC São Paulo); Mestre em Relações Internacionais pelo Programa Santiago Dantas, do convênio das Universidades UNESP/UNICAMP/PUC-SP; e Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo – USP . Autor do livro “Acordo de Quotistas – Análise do instituto do Acordo de Acionistas previsto na Lei 6.404/1976 e sua aplicabilidade nas Sociedades Limitadas à Luz do Novo Código Civil brasileiro, com contribuições da Teoria dos Jogos”. São Paulo : IOB-Thomson, 2007. E-mail: luis@cv.adv.br

PEIXOTO ACCYOLI, é Diretor Executivo da RE/MAX Brasil e palestrante na área de gestão empresarial. Graduado em Marketing; pós-graduado em Marketing estratégico pela Universidade Cândido Mendes e pós-graduando em Gestão Franquias pela FIA/SP. Atualmente seu principal tema em palestras é “Sonhe e Faça Acontecer”. Foi Diretor Executivo da Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil, Diretor de Mídia Impressa da Organização Arnon de Mello (afiliada Rede Globo e proprietária do Jornal Gazeta de Alagoas), Diretor Executivo da Tribuna de Alagoas e assessor da superintendência do SEBRAE. E-mail: peixotoaccyoli@gmail.com

Luís Rodolfo Cruz e Creuz e Peixoto Accyoli
*texto publicado no Jornal do Commércio (Rio de Janeiro), página A-15, no dia 12 de setembro de 2011

Fonte: Praxis Education

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