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19.11.2011 | A Crítica | Mercado imobiliário local cresce sem medo de 'bolha' | Visitar o site

Alta de preços dos imóveis acende preocupação quando ao risco de bolha, mas especialistas do setor garantem que as flutuações no mercado são normais e que não há o que temer

Desde o início do ano, o mercado imobiliário brasileiro vive um forte aquecimento. No entanto, a alta nos preços de imóveis novos e o volume de unidades que começa a encalhar em certos Estados acenderam o sinal amarelo no mercado e já se discute a possibilidade de uma bolha imobiliária no País. A maioria dos empresários e especialistas, porém, concorda que não há motivo para temer, tanto que os investimentos continuam a todo vapor, e em Manaus não é diferente.

No Amazonas, de acordo com os últimos dados disponibilizados pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-AM), o índice de velocidade de vendas (IVV), apesar de ainda estar longe do desempenho anterior à crise, vem crescendo continuamente.

No segundo trimestre do ano, de cada 100 imóveis postos à venda, 29 foram vendidos naquele mesmo trimestre, uma velocidade muito boa e melhor que a registrada no segundo trimestre do ano passado, 21,5.

Os preços, no entanto, continuam em alta em Manaus. O preço médio do metro quadrado para imóveis de 50 a 100 metros quadrados de área privativa - faixa mais procurada - custava em média R$ 3.222,41 no segundo trimestre, ou seja, 7,13% mais caro que no segundo trimestre de 2010.

A alta mais expressiva foi verificada nos imóveis novos do bairro Adrianópolis, onde o preço médio do metro quadrado subiu incríveis 46,2%. O diretor comercial da Direcional Engenharia, Guilherme Diamante, argumenta que essa alta é resultado de mera recomposição de preços no mercado local, o que deve continuar por algum tempo.

A preocupação no setor cresce com notícias de que a Bahia já acumula o maior estoque de unidades de sua história, com 18 mil unidades esperando compradores; a Gafisa, uma das maiores empresas do setor, viu seu lucro líquido encolher 60% no terceiro trimestre; no Distrito Federal, as vendas começam a esfriar.

Para Peixoto Accyoli, diretor executivo da RE/MAX Brasil - rede internacional de franquias imobiliárias - isso nada tem a ver com bolha. De maneira geral, na visão de Accyoli, o cenário do setor imobiliário é extremamente positivo, inclusive em Manaus, onde a RE/MAX acaba de inaugurar sua primeira unidade no Norte do País. A solidez do mercado e as boas perspectivas para os próximos anos justificam o investimento.

Accyoli ressalta que o Brasil tem uma demanda muito maior que oferta - que se deve ao deficit habitacional. Além disso, a acesso ao crédito não é tão fácil, tanto que a relação crédito imobiliário/PIB é muito pequena no País, o que, por si só já afasta a hipótese de bolha no setor imobiliário nacional.

"É diferente do que ocorreu nos Estados Unidos, onde o crédito era muito fácil. No Brasil, ao contrário, a análise dos bancos é muito profunda", avalia.

Então, por que os preços dos imóveis novos não param de subir mesmo com a oferta em alta? Para Thomaz Assumpção, diretor da Urban Systems - empresa especializada em dimensionamento de tendências - um dos motivos é a concorrência por terrenos por parte das construtoras e incorporadoras, o que se reflete nos preços finais ao consumidor. Esse seria o caso de Manaus.

Ele ressalta que, com a relativa prosperidade econômica e baixa taxa de desemprego, as vendas continuam respondendo aos lançamentos, mas isso tem limite; as vendas já começam a cair em alguns Estados, como na Bahia e no Distrito Federal.

Fonte: A Crítica

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